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Andre Agassi fará suas últimas
saudações no US Open 2006, que começa na
segunda-feira no USTA Billie Jean King National Tennis
Center em Flushing Meadows, Nova York.
É perfeito que suas icônicas duas décadas de
carreira se completem neste lugar onde, em 1986, ele
despontou como um fenômeno de 16 anos, um adolescente
exibindo seu jogo no palco do tênis mais elétrico do
planeta.
Ele tinha olhos grandes, um grande coração, um
grande forehand e grandes sonhos. Ah, e cabelos
compridos.
Ele agarrou o tênis -e Nova York- pelo pescoço e
nunca soltou.
Ele conquistou o sucesso em partidas épicas. Ele deu
um atrativo de celebridade de Hollywood ao bairro de
Queens, namorando a atriz Brooke Shields e ao
acompanhar a cantora Barbra Streisand, que o declarou
"um Mestre Zen" em uma entrevista de TV,
durante uma de suas partidas de 1992.
Ele já conquistou o torneio duas vezes: em 1994, após
passar por uma
cirurgia no pulso, ele se tornou o primeiro jogador não
cabeça-de-chave em 28 anos a conquistar o título do
US Open, e em 1999, após voltar às
primeiras posições do ranking mundial depois de cair
para a posição 141 e de seu muito falado divórcio
de Brooke Shields.
Então, se esta é sua cidade, seu evento e esta é
sua torcida, por que Agassi está nervoso com sua 21ª
e última participação?
"Quando foi a última vez que você fez algo pela
primeira vez na sua vida?" perguntou Agassi.
"Não é com muita freqüência, à medida que
você fica mais velho, que se encontra coisas novas.
Elas acontecem de forma cada vez mais espaçada. Esta
é a sensação. E é realmente empolgante."
"Vinte e uma vezes, eu nunca joguei meu último
(US) Open. Eu não quero ser melodramático a
respeito. O último se torna meu primeiro, de forma
que não sei o que esperar. Eu não sei."
A cortina descerá para Agassi, 36 anos, durante as próximas
duas semanas do US Open. Disto ele tem certeza: ele se
curvará e mandará um beijo com as duas mãos para
todos os quatro cantos da quadra, então partirá com
sua esposa, a lenda alemã do tênis Stefanie Graf, e
seus filhos, Jaden Gil, 4 anos, e Jaz Elle, 2 anos,
para dar início ao segundo ato de sua vida.
Tomando o
Estado de Nova York
Sua aposentadoria representa o fim de uma das eras
mais brilhantes do tênis masculino americano. Também
marca a conclusão da carreira de um dos atletas mais
provocantes, carismáticos e generosos do mundo dos
esportes.
"Outros venceram mais no US Open, mas certamente
poucos representaram mais do que Andre Agassi",
disse Arlen Kantarian, executivo-chefe de tênis
profissional da USTA (a associação americana de tênis).
"Ele entendeu desde o início o que o palco de
Nova York representava. Ele sabia o que o público de
Nova York queria e sabia que queria ser aquele a lhes
dar aquilo."
"Em um contexto maior, o que ele representou para
o tênis? Bem, ele é a
prova viva do que carisma, classe e caráter trazem ao
esporte. Ele pode ter a mais forte combinação destes
três atributos entre qualquer atleta da
atualidade."
Jim Courier, um vencedor de quatro Grand Slams e amigo
de Agassi,
acrescentou: "Para mim, ele é um ícone. Ele é
um ícone do tênis há 21 anos. Desde que ele
despontou, ele forçou as pessoas a terem uma opinião
a respeito dele. Ame ou odeie, você tinha que
escolher um lado".
Brad Gilbert, que foi o treinador de Agassi em seis de
seus títulos do Grand Slam, disse: "Ele dava
muito de si mesmo. O motivo pelo qual as pessoas
sentirão muito a falta de Andre é devido a quanto se
importavam com ele. Ele não é um jogador de tênis
que vem e vai. Ele é alguém por quem você realmente
torce. Daqui trinta anos, as pessoas ainda estarão
falando dele. 'Aquele tal de Agassi, nossa, era incrível
como ele batia na bola'".
Ele amadureceu de prodígio a astro do rock, rebelde,
homem de família, velho estadista e a filantropo. Ele
se transformou do punk que parecia
personificar o slogan das câmeras Canon Rebel que
endossava -"Imagem é
tudo"- ao exemplo que criou e adotou seu próprio
mantra: "Substância é só o que
interessa".
"No vácuo que ele vive no mundo dos esportes, na
existência microscópica que é ser um atleta célebre,
ninguém nunca mudou tanto quanto ele para
melhor", disse Courier. "Certamente se
tratou do seu amadurecimento, do descobrimento de si
mesmo e do mundo à sua volta. Mas chegar tão longe
é uma verdadeira raridade. O mundo é forçado a
mudar ao redor de uma celebridade; geralmente não é
o contrário."
Agassi não chegou ao topo por manter uma visão
estreita. Em vez disso, ele floresceu como atleta e
ser humano porque insistiu em equilibrar muitas bolas
ao mesmo tempo -sua carreira no tênis, seus
empreendimentos comerciais, sua instituição de
caridade e sua vida familiar. Notavelmente, ele não
apenas manteve todas elas no ar, mas também as
equilibrou com sucesso, ele disse, porque tem apenas
uma única meta na vida: ser melhor hoje do que ontem.
"Eu não tive a opção de ser míope",
disse Agassi. "Eu nunca poderia ter
feito tal escolha, para melhor ou para pior. Eu
definitivamente olhei para a situação e disse: 'Eu
poderia ter vencido mais se às vezes tivesse sido
mais míope'. Ao mesmo tempo, eu penso comigo mesmo:
'Teria sido apenas mais'. Eu estou convencido de que não
teria sido mais gratificante."
Graf disse: "Eu fui capaz de me concentrar mais
facilmente no tênis, eu
acho, do que ele. O tênis não era apenas para ele.
Era para os outros. De forma que acho que ele não se
voltava exclusivamente. Ele sempre o olhava de um
ponto de vista mais amplo".
Tênis
como plataforma
Na verdade, disse Agassi, ele sempre usou o tênis
como uma jornada de
autodescobrimento, como um veículo para pressioná-lo
e às pessoas próximas dele a atingirem seu pleno
potencial, como um caminho para responder a perguntas
maiores, mais importantes da vida, como uma plataforma
para promover conexões mais significativas com outras
pessoas.
O tênis o inspirou a criar a Fundação de Caridade
Andre Agassi, que conta com mais de US$ 50 milhões em
ativos.
O tênis o motivou a construir a Andre Agassi College
Preparatory Academy, uma escola particular
independente em West Las Vegas.
O tênis o levou a Graf, uma vencedora de 22 torneios
do Grand Slam, e os abençoou com duas crianças
agitadas.
O tênis o trouxe à minivan Toyota prateada que
dirigem, às manhãs que ele leva seus filhos à
escola, às tardes que as pega para levar à natação,
tênis, artes e outras atividades, às noites que
escreve palavras de amor para sua esposa na lousa na
cozinha da casa deles em Las Vegas, descrevendo o que
nela o emocionou naquele dia.
"Ele não poderia fazer isto se não tivesse
entendido o significado por trás", disse Perry
Rogers, seu empresário, sócio e melhor amigo desde a
infância. "Ele sempre diz que é do tipo de
pessoa que sente algo primeiro e então age de acordo.
Mas ele não pode agir a menos que sinta."
"Ele me disse certa vez: 'Se você me dissesse
saber o resultado de um
torneio do qual participarei e me dissesse
antecipadamente se iria perder na primeira rodada, nas
quartas-de-final ou vencer, eu ainda assim iria ao
torneio com a mesma expectativa, porque ficaria
interessado em saber como transcorreria. Ele disse:
'Eu não vou pelos resultados. Eu vou pelo processo,
para ver como se desdobra para mim'."
A jornada de autodescobrimento de Agassi não foi fácil
nem bonita.
"O que acho fascinante é que ele continuamente
se submete ao moedor de
carne", disse Rogers. "Não é um processo
festivo pelo qual passa: 'Oh,
veja, um desafio!' Você pode ver nas cutículas dele.
Ele as arranca até
sangrarem. Arrancando e arrancando. O sangue corre
pelas mãos dele e você pensa: 'Oh, meu Deus'. É
literalmente um moedor mental. Em tudo. Da carne que
ele assa no churrasco às partidas que ele joga."
"O que é tão fascinante e difícil de sondar é
quanto ele se pressiona para conseguir, para fazer
certo. Após um evento (para arrecadação de fundos)
da Fundação no ano passado -nossos artistas, pela
ordem, foram Glenn Frey; Earth, Wind and Fire; Mary J.
Blige; George Lopez; Usher; Duran Duran; Robin
Williams; Celine Dion e Barbra Streisand- ele me
telefonou na manhã seguinte e disse: 'Você sabe o
que podemos fazer melhor? Isto, isto e isto'. Eu
disse: 'Andre, eu não vou curtir isto se organizarmos
um evento como este (que levantou US$ 10 milhões) e
ainda assim formos ficar analisando isto'. E ele
disse: 'Isto é interessante, porque eu não vou
curtir se não puder telefonar para você e
analisar'."
"Este é o Andre. Esta é a busca em que ele está
e o tênis foi apenas uma tela. Foi apenas uma tela.
Apenas isto."
Lidando com os
nervos, dores nas costas
Vivenciar o fim se desdobrar no US Open é o que
intriga Agassi no momento. Desde o anúncio de sua
aposentadoria no final de junho, ele teve dificuldades
durante toda a temporada de verão, perdendo nas
quartas-de-final em Los Angeles e na segunda rodada
(sua primeira partida) em Washington, depois sendo
obrigado a desistir de Toronto e Cincinnati. Seu
problema crônico nas costas, que se agrava toda vez
que pega seus filhos no colo, voltou há duas semanas.
Ao informar antecipadamente a imprensa e os torcedores
da proximidade do fim, Agassi sabe que colocou pressão
sobre si mesmo.
"É difícil porque você quer que toda partida
seja o que você espera que
seja, não apenas vencer, mas toda a natureza
dela", ele disse. "Você quer lembrar de sua
última experiência em qualquer cidade como aquela
que mais se sobressai. Então você fica mais nervoso.
Tudo fica acentuado. Tudo fica exagerado. Então você
se submete a mais. Mas estou pronto para isto."
Graf não discorda.
"Há grandes cartazes chegando em casa, onde
todos estão escrevendo pequenas mensagens,
'Obrigado'. É incrível", ela disse. "Eu
acho que esta é a única parte difícil para ele. O tênis
se trata de algo feito para os outros. Todo tipo de
amigos e parentes, pessoas próximas ou não, elas
querem ir a Nova York. Eu penso: 'Minha nossa, como
isto será possível?' Mas ver este tipo de apoio que
ele recebeu durante tantos anos e ver isto em Nova
York, um lugar que é tão especial para ele, eu
espero que ele possa desfrutar disto."
Rogers, que previu que precisará de 100 ingressos
para parentes e amigos na partida de estréia de
Agassi, na noite de segunda-feira no Arthur Ashe
Stadium, não teme que seu melhor amigo tenha se
colocado em uma situação na qual é impossível
vencer.
"Se trata do processo", disse Rogers.
"Ele vai se sentir ligado por todos estarem lá
com ele. Elas estarão na mesma jornada que ele.
Independente de como termine, será honesto."
Gil Reyes, o personal trainer de Agassi há 17 anos,
disse que está
preparando Agassi mental, física e emocionalmente
para vencer o US Open -e partir em um clarão de glória.
"Não se trata do último agradecimento. Se trata
de esvaziar os coldres, toda gota de paixão e fogo
dentro dele", disse Reyes. "Gasto.
Satisfeito. Respeitoso. Agradecido e completo. Dar aos
seus amigos nas arquibancadas o melhor de você, dar a
eles tudo de você, então lhes dizer adeus."
Agassi já imaginou como será seu último
agradecimento? Não, isto faz parte da jornada.
"Eu nem saberia como", ele disse. "Eu
espero que ainda demore sete partidas."
VEJA
A GALERIA DE FOTOS DE ANDRÉ AGASSI.
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